Conto ” A Mulher Árvore”

Hoje ofereço-vos um conto de Ximena Noemí Ávila Hernández, um conto que realmente me tocou o coração, fala da Mulher Árvore.

A Mulher Árvore repete-se em mim uma e outra vez, fico maravilhada e surpreendida como também está presente para muitas outras mulheres, que como eu, sentiram o grito da Terra e o vínculo com a Mulher Árvore.
Há pouco tempo fui a uma tertúlia sobre mulheres e ecologia onde me disseram que justamente nos anos 70 quando a mulher começou a entrar nos círculos artísticos e a sentir-se livre para criar e expressar-se, muitas foram as mulheres que o primeiro que pintaram foi “a Mulher Árvore”
Espero que gostem!

“Conta uma história muito, mas muito antiga, da qual já não muitos se recordam, nem da qual já não muitos falam, que antes de apareceram os humanos de duas patas na Terra, todas as mulheres, antes de serem mulheres foram árvores, tinham raízes que as faziam ser uma com a Mãe Terra, mãos compridas e ressecas feitas de troncos e cascas, e compridos cabelos que se cobriam de folhas, flores, frutos e pássaros que cantavam na primavera.

Estas viviam nos recantos mais belos, nutriam-se do sol, da água, do vento e nunca estavam sozinhas, pois estavam rodeadas por todas as criaturas do bosque tanto terrenas como todas as criaturas mágicas que possas imaginar. Também eram cuidadas e nutridas pela árvore mais sábia de todas, à que chamavam “Avó Árvore”, uma árvore tão mas tão antiga que conhecia todos os segredos sobre a vida e sobre a morte, e sempre que uma Mulher Árvore de qualquer lugar do mundo adoecia, comunicava com a Avó Árvore através das usas raízes para se curar.

As Mulheres Árvore tinham muitos poderes, comunicavam-se sem usar as palavras, moviam os elementos sem ter mãos e podiam sentir a todos os seres da natureza através da rede profunda que formavam com as suas raízes por debaixo da terra.

Um dia, muito tempo depois de que chegassem à terra os humanos de duas patas, algo aconteceu e começaram os tempos de guerra, mortes e destruição, alguns dizem que a causa foi a ambição pelos reinos, pelo poder e pelas riquezas. Foi uma época terrível, onde muitas Mulheres Árvore foram convertidas em madeira e queimadas como forma de gerar calor. Com estes acontecimentos, para poder manter vivas as suas filhas, a Avó Árvore permitiu que se desenraizassem e ganhassem pés para que pudessem correr e esconder-se longe de perigo. Assim, as Mulheres Árvore tiveram que aprender a caminhar e a sobreviver sozinhas, em troca perderiam as suas raízes e o seu vínculo com a Mãe Terra e todos os seres que nela habitavam, o que lhes causava uma grande dor e tristeza, mas era a única forma de sobreviver e conservar a tradição das Mulheres Árvore.

Quem me contou esta história diz que passaram muitos séculos até que a guerra pelos reinos terminou, durante este tempo muitas Mulheres Árvore morreram de tristeza já que não aguentavam a solidão e o desenraizamento, outras esqueceram-se de quem eram, de maneira que aprenderam a viver com os de duas patas perdendo os seus poderes e capacidades mágicas. Porém, houve outro grupo de Mulheres Árvores que se distribuíram pelo mundo e apesar de se separarem prometeram nunca deixar de ser quem eram e conservar na mais profunda memória do ADN, tudo aquilo que aprenderam da Avó Árvore. Assim, este grupo de mulheres comprometeram-se a encontrar-se e reencontrar-se em todas as vidas posteriores, mantendo muito bem guardado o segredo das suas origens e poderes

Assim também a Avó Árvore, com o desejo de nunca mais separar-se deste bosque de donzelas e num acto de amor profundo pelas suas filhas, abençoou todas as mulheres com uma árvore no seu ventre, e esta árvore transformou-se no que hoje é o nosso útero. Assim todas as mulheres podem recuperar o seu enraizamento à Mãe Terra nutrindo-se do seu amor, pois o útero é o vinculo com a sua verdadeira essência. No seu centro está a forma de como recuperar a razão primogénita do que é ser mulher. E o maravilhoso da bênção da Avó Árvore é que tenhamos ou não um útero físico, sempre teremos um útero energético que ninguém nunca nos poderá arrebatar. 

Esta é uma história muito, mas muito antiga, porém muitos dizem que nestes momentos a Avó Árvore está a fazer um chamado forte e claro às suas filhas. Assim é como ao abraçar a árvore mais antiga da floresta e apoiar o teu ouvido no seu tronco, este contar-te-á os segredos das Mulheres Árvore, vai impregnar-te de todo o seu amor e vai outorgar-te toda a sua medicina ancestral. Nunca mais voltarás a estar desconectada da tua Avó Árvore. O teu útero recuperará as suas raízes e caminharás para sempre vinculada com a terra.”

Nós, as mulheres, esquecemos as nossas origens, e com elas, toda a humanidade anda perdida. Não se preocupem, a Avó Árvore está a chamar-nos de novo, um grito profundo e continuo, de regresso a casa, a Mãe Terra. Deixa-te ir, recorda, sente, descansa nas tuas raízes.

 

Carla Trepat

Anúncios

Entrevista a nossa autora Carla Trepat

20180403_221729_2

Como e quando surgiu a ideia de criar uma história para explicar a sexualidade feminina?

Na verdade, foi um conjunto de fatores que acabaram por fazer um clic em mim.

O primeiro foi ao ler o livro da Miranda Gray, chamado Red Moon, onde ela explica em profundidade os dons do ciclo menstrual e como isso nos afeta dia a dia. Percebi, então, que era uma pena que livros como esse, que nos contam outra visão de nós mesmas, positivos e empoderadores, só existissem apenas para adultos, já que desde crianças, aprendemos que a menstruação é dolorosa e algo a esconder, uma maldição para resumir.

Senti que era importante criar imagens de beleza, de grande sensibilidade e, ao mesmo tempo, significantes sobre o corpo feminino e sua natureza.

Outro fator que me levou a escrever O Tesouro de Lilith foi uma frase que me lembro de ouvir quando pequena da minha avó: “Nunca tive um orgasmo”, disse ela. Naquela época, eu era pequena e não dei importância, mas essa frase ficou gravada em mim como um eco que voltava uma e outra vez de forma angustiante com o sentimento de saber quantas mulheres do nosso passado e presente não tinham sentido seu proprio prazer sexual, sendo algo proibido ou desconhecido. Quanta repressão e ignorância do seu próprio corpo. Às nossas avós são desta geração, onde o prazer foi proibido, e agora estamos começando a mudar o caminho. Da minha percepção, fomos para o outro extremo, total “liberdade”, porém em ignorância total, continuamos sem nos respeitar. Para mim, o caminho é um ponto médio em que a sexualidade seja um contato íntimo comigo mesma ou com outra pessoa, respeitando-se, acariciando-nos e criando assim o vínculo amoroso.

A minha necessidade de criar outra visão da sexualidade feminina é tentar lembrar-nos de que o nosso corpo é perfeito como é, e que todos, começando por nós mesmas, devem respeitá-lo.

Em geral, como é que as mulheres temos experimentado a sexualidade ao longo da história?

Obviamente, depende de cada cultura e do momento histórico, mas tem havido muito medo da liberdade sexual feminina e, conseqüentemente, muita repressão.

O corpo da mulher e o seu prazer tem sido intimamente ligado à economia e aos homens.

Como facto curioso, conto-vos sobre o povo Mosuo, uma sociedade de um lugar distante da China considerada o último “matriarcado” do nosso tempo. Nesta cultura, as mulheres estão no controle da economia familiar, e todas as mulheres e os seus descendentes vivem na mesma casa. Não há o termo “pai” porque não existe tal papel, há tios, irmãos, mas não há pai. Mulheres e homens têm relações sexuais e amorosas uns com os outros, mas não há “ataduras” econômicas ou descendentes intermediários, já que essa parte é resolvida pela mesma família materna, avós, irmãs e irmãos,… Acho que é uma sociedade muito interessante que vos convido a assistir ao documentário para refletir sobre outras formas de vivenciar a sexualidade e perceber como ela está ligada à cultura e à economia.

Você diz que é um livro para meninos e meninas, mas por que a história apenas explica a sexualidade das meninas?

É uma história que fala da sexualidade feminina e também pode servir como uma ferramenta para falar sobre sexualidade com meninos, já que a metáfora usada na história do prazer pode ser válida para ambos os sexos.

Além disso, quando se trata de explicar para as crianças, eu sempre comentei que os pais podem deixar a sua imaginação voar para falar sobre os genitais masculinos (que não aparece na história), eu sempre tive a imagem de que o pênis é como um beija-flor, quando ele está feliz, ele voa alto e claro e quando ele está calmo, ele descansa como se estivesse dormindo.

Assim, com a desculpa da história, estamos gradualmente criando um vinculo forte e seguro de comunicação e confiança.

Com O Tesouro de Lilith, senti a necessidade de falar apenas da sexualidade feminina, de mãe para menina. Embora obviamente pais, professores e educadores também possam disfruta-lo e aproveitá-lo.

Para que idade você recomendaria a leitura de “O Tesouro de Lilith”?

É uma história destinada a crianças a partir dos 3 anos, embora qualquer mulher ou homem que sinta a necessidade de ver a sexualidade feminina de uma forma mais amorosa e bonita, convido-o a lê-lo e deixar-se guiar pelas suas imagens.

Há pais que podem não estar “confortáveis” falando sobre sexualidade com seus filhos… Talvez por vergonha ou preconceito. Ler “O Tesouro de Lilith” pode ajudar?

Precisamente por este motivo criei o conto de uma maneira muito metafórica, onde cada pai, mãe ou educador pode ir aprofundando pouco a pouco à medida que se sente seguro. O importante é sentir-se confortável com nossos filhos e, pouco a pouco, quebrar o silêncio e o tabu. Cada um no nosso próprio ritmo.

A história é muito simples e o poder cai principalmente nas imagens, não no texto, para que possamos lê-lo tranquilamente sem nos sentirmos desconfortáveis, pelo contrário, relaxando desfrutando de uma visão de sexualidade vista pelos olhos de uma criança.

Quantas cópias já foram vendidas de “O Tesouro de Lilith”? Como se pode comprar?

O tesouro de Lilith foi publicado em outubro de 2012 e agora, em maio de 2015, já ultrapassamos as 5000 cópias vendidas e vamos para a quarta edição.** Além disso, esta quarta edição é acompanhada pela história em italiano e alemão, então Lilith está se tornando internacional!

Na Espanha há mais de 300 livrarias que o disponibilizam e você também pode comprá-lo através da página web da história e eu vou enviá-lo para sua casa pelo correio. (Para comprar o livro em português desde o Brasil ou Portugal compre aquí.

Conte-nos sobre sua experiência com a campanha de crowdfunding que você iniciou em 2012 para publicar o livro. As pessoas responderam como você esperava? Você recomendaria essa forma de financiamento para as pessoas?

Foi uma experiência muito gratificante e ao mesmo tempo muito cansativa por todos os e-mails e contatos feitos nesses 40 dias. Ultrapassamos a quantia que precisávamos para a auto-publicação e o melhor de tudo é que se tornou muito conhecido. Recomendo essa forma de financiamento dos projetos, já que é um primeiro olhar ao projeto, para ver se é necessário ou não para as pessoas, além disso, também ganha muita difusão que, de outra forma, teria sido muito difícil.

Em geral, as mulheres, nos amamos? Conhecemos o nosso corpo?

Eu acho que há uma grande ignorância do nosso corpo, nosso prazer, nossas necessidades e emoções. E que muitas vezes nos disseram que amar-nos é colocar aquele creme especial na nossa cara, fazer aquele tratamento de beleza,…  Quando para mim, amar a mim mesma é escutar o meu corpo, as minhas necessidades e me respeitar.

Tenho certeza de que podemos ensinar esses valores a crianças e meninas e, assim, crescer com mais autoestima, mais confiança e mais autoconfiança.

Eu li que em alguma entrevista você fala sobre a submissão de mulheres ao prazer do homem. Podemos mudar isso desde a infância?

Claro que sim! É por isso que é importante conversar com as crianças! Conte-lhes a sua experiência, os seus sentimentos, deixe-os perguntar e fortalecer a sua autoestima e conhecimento corporal.

Você acha que amar-nos mais acabaria com grande parte da violência machista que sofremos, mas será suficiente? O que mais precisamos mudar?

Ao amar-nos e respeitar-nos mais avançamos certamente a passos largos no caminho, porém é claro que precisamos consciencializar a outra parte, crianças e homens, de que existe outra maneira de se relacionar, desde a igualdade e o respeito.

Carla Trepat Casanovas

carlatrepat@gmail.com

**Atualmente o livro já vendeu mais de 25000 cópias e está traduzido a 10 idiomas.

Original: https://www.marujismo.com/el-tesoro-de-lilith-entrevista-a-carla-trepat/

Traduzido por Adriana Robles e Claudia Amaral.

Por que temos tão mau humor quando estamos na pré-menstruação? 

preme1-e1519046136514
A sabedoria do nosso corpo é infinita, ele cuida de nós sem que nos demos conta.
A capacidade do corpo para gerir informação e tudo o resto é de uns 5 milhões, e a capacidade da mente é de aproximadamente 40.000, então o que nos chega ao cérebro é um resumo muito simplificado, os títulos principais e pouco mais.

Por que digo isto?

Primeiro para que aprendamos a confiar na incrível sabedoria do corpo e depois para explicar o motivo da nossa irritabilidade, quando estamos na fase pré-menstrual.
Quando o nosso corpo entra na fase pré-menstrual começa a fazer uma autolimpeza, o que significa que ele recolhe as partículas tóxicas que no dia-a-dia não conseguiu gerir e coloca-as novamente na corrente sanguínea para poder expulsá-las de novo. É como se fizesse uma limpeza minuciosa durante esses dias. A nossa irritabilidade, ansiedade, raiva ou desconforto é uma consequência de todas essas toxinas (e também sensações) que o corpo está a limpar. Graças a esta fase, o nosso corpo ficará, depois, mais limpo e em paz.

É semelhante a quando fazemos um detox e, durante os primeiros dias, sentimos essas mesmas sensações desagradáveis que nos dizem que estamos limpando as toxinas do nosso corpo. É por isso que estamos por alguns dias intoxicadas e logo nos sentimos mais limpas do que antes.
Se você tem pré-menstruações muito difíceis, pergunte-se a si própria que experiências ou emoções tóxicas ou desagradáveis você acumulou durante o mês, se o seu corpo tem muito para limpar é que anteriormente você as acumulou.
Proponho duas coisas:

Seja consciente da sua dieta: muitos tóxicos, muita limpeza. Tente diminuir os tóxicos (farinha branca, açúcar, álcool, tabaco,…)

Seja consciente do stress que você pode acumular: muito stress muita limpeza.

E, finalmente, ajude o seu corpo a se limpar durante esses dias. Durante a fase pré-menstrual, tome chá de urtigas*boldo**,… beba muita água, água com limão pela manhã, caldos, sopas, … Coma pouco por dois dias, só verduras e chás para limpar, que ajudarão e facilitarão este processo interno de limpeza do corpo.
Bem, isso é tudo, espero que a próxima vez que sinta essa irritabilidade da fase pré-menstrual você possa rir um pouco e ajudar a seu corpo a se manter saudável.

*Urtica dioica

** Peumus boldus Molina

 

Nota: Pode também transmitir estes coselhos de autocuidado à sua filha, se a idade dela já está próxima à menarca.

Maísa Silva falando sobre menstruação pode ajudar a sua filha a lidar com ela

Maisa Silva.png

“Falar sobre menstruação não pode ser mais tabu na nossa sociedade” diz Maísa Silva, famosa atriz, cantora, modelo e apresentadora brasileira de 15 anos. No seu canal no Youtube, ela utiliza a sua influência para falar dos temas pelos que dia a dia passa, entre eles a menstruação.

É um vídeo ótimo para mostrar às suas crianças e adolescentes que já estão começando a vivenciar as transformações do corpo e em especial o ciclo menstrual. A nível mundial, pesquisadores e pedagogos, recomendam mostrar ou compartilhar histórias de outras meninas que estão passando também pela menstruação, já que as crianças/adolescentes se sentem identificadas e podem ver o tema com mais naturalidade, sendo que todas as mulheres passamos por isso.

Porém, tenha muito cuidado e veja antes as histórias que você gostaria de mostrar, pois atualmente existem muitos vídeos que não têm um conteúdo claro e podem acabar piorando a relação de naturalidade com o ciclo menstrual.

Neste vídeo a Maísa recomenda ir ao ginecologista, conversar com os pais e professores,  fala sobre como lidar com a cólica e ainda mostra um aplicativo super legal para registrar as sensações físicas e emocionais durante seu ciclo.  Este aplicativo gratuito pode ajudar as adolescentes a marcar num calendário virtual os dias da menstruação e com ele descobrir quando será sua próxima tpm e menstruação descobrindo os padrões únicos do seu ciclo.

Assista com sua filha e depois nos conte se você achou útil nossa sugestão. 🙂

 

 


 

Lembre que nossa Pré-venda do livro no Brasil está acontecendo. Se você quiser conhecer melhor faça CLICK AQUI: http://bit.ly/2PrevendaTesourodeLilith

O Tesouro de Lilith é um livro para crianças de todas as idades, escrito, ilustrado e auto-publicado em Barcelona em 2012 por Carla Trepat Casanovas e já vendeu mais de 9000 cópias. Atualmente está editado em 6 idiomas. Vem acompanhado de um guia didático escrito por Anna Salvia Ribera, psicóloga especialista em Saúde Sexual, que nos ajudará a transmitir às crianças e adolescentes o valor de uma sexualidade plena e saudável.

O Tesouro de Lilith é uma porta aberta para falar com as nossas filhas sobre a sexualidade, o prazer e o ciclo menstrual.

O livro

2021 Marcha Mundial das Mulheres (Primeira parte)

 

womenwagepeace1

Conta a lenda que uns exploradores iam andando pela selva, acompanhavam-nos outros homens, que eram os seus escravos e que se encarregavam de carregar as bagagens. Conta-se que estes homens rápido se sentaram e se negaram a mover-se. 

Os exploradores furiosos, bateram-lhes, gritaram-lhes, mas nada, eles não se moveram, disseram que tinham ido demasiado rápido e que a sua alma tinha ficado para trás, agora tinham que a esperar para poder seguir em frente. Esperaram umas horas e quando eles sentiram que a sua alma tinha regressado, seguiram o seu caminho. 

Creio que o nosso mundo está a ir demasiado depressa, corremos de um lado para o outro, sem pensar, sem sentir, sem viver. Corremos para chegar a muitos lugares, e quando chegamos corremos a outros, nada nos satisfaz, nada nos é suficiente. Temos um vazio interno que tentamos encher com comida, roupa, telemóveis, mensagens, … Mas nada é suficiente!

O vazio é tão grande que estas coisas tão banais não podem enchê-lo… Perdemos algo tão essencial… Como a nossa ALMA.

A nossa alma, esse estar em casa estejamos onde quer que estejamos, esse sentir-se bem com o corpo que temos, esse estar feliz com quem somos.

E não somos só nós que corremos infelizes pela nossa vida, mas fazemos correr as pessoas ao nosso redor também…

Quando é que nos esquecemos de respirar? De suspirar? De nos sentarmos junto ao fogo e simplesmente estar?

Sinto que o nosso mundo vai à deriva, à deriva da vida, da vida como eu a entendo, de prazer e amor, de valores bem assentes, de ser e de menos fazer, de amar e beijar.

E tudo pode ser bem diferente, juntas podemos devolver esse suspiro de vida ao mundo, de parar, reflexionar, sentir e viver. Transformando-nos para transformar ao mundo.

Faço uma chamada a todas as mulheres que sintam que este mundo pode ser diferente e que está nas nossas mãos transformá-lo. Faço uma chamada a que, entre todas, criemos um movimento o suficientemente poderoso para transformarmos a nós próprias e ao mundo no qual vivemos. Eu sei que se está gestando em mim, em vocês, na terra, no ar, na água e no fogo.

Transformemos este mundo e devolvamos-lhe o prazer que merece.

Deixo-vos com um vídeo que me apaixonou e que para mim, tem as raízes dessa mudança. Um vídeo que nasceu do movimento WomenWagePeace de Israel e Palestina, um movimento liderado por mulheres que pedem a paz entre estes territórios, fazendo caminhadas entre muitas outras coisas. Esta caminhada em concreto durou duas semanas.

Porque se as mulheres paramos e andamos, cantamos e rimos, nós nos transformaremos a nós próprias e o mundo nos seguirá.

Contem-me, o que pensam? O que sentem?

Continuarei a contar, subscrevam-se ao blog e assim, continuaremos a tecer.

Aho!

Carla Trepat

O cuidado do sangue HIGIENE ÍNTIMA

menstruaciocc81n

O que usar quando menstruamos?

Absorventes, pensos higiênicos, tampões, copos menstruais,.. Como é que isso afeta o nosso corpo?

Ninguém além de ti sabe o que é melhor para o teu corpo, mas há algumas informações que necessitas saber.

Os absorventes1 e tampões comerciais (como Intimus, Always, Evax, e muitas outras) são feitos de plástico, contêm produtos químicos e tóxicos que penetram no teu corpo através da tua vagina e, além disso, não te permitem respirar. A nossa vagina é como uma segunda boca, colocarias qualquer destes produtos na boca durante 5 dias?

O plástico não deixa que o teu corpo transpire, pelo contrário, cria uma umidade idônea para o crescimento de fungos e bactérias, ou seja, o local perfeito para infecções vaginais. Para já não falar dos tóxicos. Existem algumas pesquisas que provam que esses produtos utilizam químicos tóxicos nada saudáveis nem amorosos para as nossas partes mais íntimas.

Os tampões também produzem secura (nada bom para tua vagina!) e absorvem não só o sangue menstrual, mas também a nossa mucosa necessária para proteger a vagina.

ALTERNATIVAS

Há muito tempo que temos outros produtos disponíveis, mas como não gastam tantos milhões em publicidade, não são tão conhecidos. Mas não deixam de ser infinitamente melhores para o teu corpo.

Aqui te conto alguns que experimentei e os que uso.

compresasAbsorventes de pano: O remédio ancestral mais usado da história da humanidade. Agora com algumas melhoras. Tu mesma podes fazer ou procurar na rede milhares de mulheres que se dedicam a criar absorventes de pano, com diferentes materiais como fibra de bambu que é muito absorvente e outras tantas maravilhas. São as que eu uso e gosto de limpar o meu sangue com as minhas mãos, regar as plantas com o meu sangue e ensinar a minha filha o prazer de tocar e sangrar nos meus absorventes.

foto: Aires de Cambio

copaCopa menstrual: Outra maravilha criada há já algum tempo. É uma copa de silicone que se põe dentro da vagina, como um tampão, recolhe o teu sangue e depois se retira para esvaziar. Assim de simples. Não seca a tua vagina, dura 10 anos e é bastante econômica. Pessoalmente já experimentei e prefiro os absorventes, mas muitas amigas estão encantadas com a copa. Experimenta e escolhe, vai depender muito do teu gosto.

Absorventes e tampões de algodão ecológico de um só uso: Estes absorventes e tampões seriam o equivalente às compressas e tampões comerciais de plástico. Porém são fibras naturais e ecológicas, que mesmo sendo de um uso só, não envenenam o teu corpo nem a terra. Eu uso-as quando tenho que estar muitas horas fora de casa e não quero ir com os absorventes de pano. (Natracare, Naty, Organyc.. São algumas marcas).

Há mais alternativas como as esponjas naturais, mas ainda não as experimentei.

Vou experimentar!

Carla Trepat

 

Trad. Adriana Robles

 

1 Pensos higiénicos em Portugal.

 

Reconheces a tua fase pré-menstrual?

Nas imagens da Flor da Vida do livro “O Tesouro de Lilith”, encontrarás os principais protagonistas da atividade do nosso sistema reprodutor durante o ciclo menstrual: o endométrio, o óvulo e o muco cervical.

O endométrio é representado nesta história pelas pétalas da Flor da Vida e é o rosto interno do útero: a terra fértil aninha o óvulo fecundado para se alimentar enquanto não se desenvolve a placenta. Trata-se de uma mucosa muito rica em nutrientes e por esta razão muito difícil de manter, desta forma, se não há nenhum óvulo fecundado que a aproveite, o corpo constrói-a e destrói-a a cada mês. A menstruação é a expulsão deste velho endométrio.

Neste sentido, o fluxo vaginal pode nos dar uma ideia da fase em que estamos.
O fluxo vaginal é composto, principalmente, pelo muco cervical, que é um muco que se produz no colo do útero para permitir ou impedir a entrada de espermatozóides. Deste modo, quando estamos férteis (os seis dias antes da ovulação aproximadamente) segregam um muco elástico parecido à clara do ovo, e quando estamos inférteis (o resto do ciclo) não aparece nenhum muco ou aparece um parecido com o iogurte. Ao observar o nosso fluxo vaginal podemos saber em que fase do ciclo estamos e aproveitar conscientemente as suas qualidades.

Em resumo os sintomas são: mucosa vaginal esbranquiçada, espessa e pegajosa que impede o movimento de espermatozóides. Pouca energia, sensibilidade emocional, aumento dos conflitos, infertilidade. Momentos de entrega e limpeza. Sonos mais claros.

Nesta fase, a nossa energia começa a diminuir, como as folhas. Estamos emocionalmente vulneráveis e suscetíveis, a nossa fertilidade chegou ao fim. Começamos a viver com menos luz e a familiarizar-nos com as nossas sombras. É um tempo para conectar com a nossa intuição.

E você, consegue reconhecer que está na pré-menstruação?

Conheça outros artigos na mesma linha…

O porquê do síndrome pré-menstrual (irritabilidade, choro, raiva…)?

A sabedoria oculta do nosso útero