2021 Marcha Mundial das Mulheres (Primeira parte)

 

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Conta a lenda que uns exploradores iam andando pela selva, acompanhavam-nos outros homens, que eram os seus escravos e que se encarregavam de carregar as bagagens. Conta-se que estes homens rápido se sentaram e se negaram a mover-se. 

Os exploradores furiosos, bateram-lhes, gritaram-lhes, mas nada, eles não se moveram, disseram que tinham ido demasiado rápido e que a sua alma tinha ficado para trás, agora tinham que a esperar para poder seguir em frente. Esperaram umas horas e quando eles sentiram que a sua alma tinha regressado, seguiram o seu caminho. 

Creio que o nosso mundo está a ir demasiado depressa, corremos de um lado para o outro, sem pensar, sem sentir, sem viver. Corremos para chegar a muitos lugares, e quando chegamos corremos a outros, nada nos satisfaz, nada nos é suficiente. Temos um vazio interno que tentamos encher com comida, roupa, telemóveis, mensagens, … Mas nada é suficiente!

O vazio é tão grande que estas coisas tão banais não podem enchê-lo… Perdemos algo tão essencial… Como a nossa ALMA.

A nossa alma, esse estar em casa estejamos onde quer que estejamos, esse sentir-se bem com o corpo que temos, esse estar feliz com quem somos.

E não somos só nós que corremos infelizes pela nossa vida, mas fazemos correr as pessoas ao nosso redor também…

Quando é que nos esquecemos de respirar? De suspirar? De nos sentarmos junto ao fogo e simplesmente estar?

Sinto que o nosso mundo vai à deriva, à deriva da vida, da vida como eu a entendo, de prazer e amor, de valores bem assentes, de ser e de menos fazer, de amar e beijar.

E tudo pode ser bem diferente, juntas podemos devolver esse suspiro de vida ao mundo, de parar, reflexionar, sentir e viver. Transformando-nos para transformar ao mundo.

Faço uma chamada a todas as mulheres que sintam que este mundo pode ser diferente e que está nas nossas mãos transformá-lo. Faço uma chamada a que, entre todas, criemos um movimento o suficientemente poderoso para transformarmos a nós próprias e ao mundo no qual vivemos. Eu sei que se está gestando em mim, em vocês, na terra, no ar, na água e no fogo.

Transformemos este mundo e devolvamos-lhe o prazer que merece.

Deixo-vos com um vídeo que me apaixonou e que para mim, tem as raízes dessa mudança. Um vídeo que nasceu do movimento WomenWagePeace de Israel e Palestina, um movimento liderado por mulheres que pedem a paz entre estes territórios, fazendo caminhadas entre muitas outras coisas. Esta caminhada em concreto durou duas semanas.

Porque se as mulheres paramos e andamos, cantamos e rimos, nós nos transformaremos a nós próprias e o mundo nos seguirá.

Contem-me, o que pensam? O que sentem?

Continuarei a contar, subscrevam-se ao blog e assim, continuaremos a tecer.

Aho!

Carla Trepat

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O cuidado do sangue HIGIENE ÍNTIMA

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O que usar quando menstruamos?

Absorventes, pensos higiênicos, tampões, copos menstruais,.. Como é que isso afeta o nosso corpo?

Ninguém além de ti sabe o que é melhor para o teu corpo, mas há algumas informações que necessitas saber.

Os absorventes1 e tampões comerciais (como Intimus, Always, Evax, e muitas outras) são feitos de plástico, contêm produtos químicos e tóxicos que penetram no teu corpo através da tua vagina e, além disso, não te permitem respirar. A nossa vagina é como uma segunda boca, colocarias qualquer destes produtos na boca durante 5 dias?

O plástico não deixa que o teu corpo transpire, pelo contrário, cria uma umidade idônea para o crescimento de fungos e bactérias, ou seja, o local perfeito para infecções vaginais. Para já não falar dos tóxicos. Existem algumas pesquisas que provam que esses produtos utilizam químicos tóxicos nada saudáveis nem amorosos para as nossas partes mais íntimas.

Os tampões também produzem secura (nada bom para tua vagina!) e absorvem não só o sangue menstrual, mas também a nossa mucosa necessária para proteger a vagina.

ALTERNATIVAS

Há muito tempo que temos outros produtos disponíveis, mas como não gastam tantos milhões em publicidade, não são tão conhecidos. Mas não deixam de ser infinitamente melhores para o teu corpo.

Aqui te conto alguns que experimentei e os que uso.

compresasAbsorventes de pano: O remédio ancestral mais usado da história da humanidade. Agora com algumas melhoras. Tu mesma podes fazer ou procurar na rede milhares de mulheres que se dedicam a criar absorventes de pano, com diferentes materiais como fibra de bambu que é muito absorvente e outras tantas maravilhas. São as que eu uso e gosto de limpar o meu sangue com as minhas mãos, regar as plantas com o meu sangue e ensinar a minha filha o prazer de tocar e sangrar nos meus absorventes.

foto: Aires de Cambio

copaCopa menstrual: Outra maravilha criada há já algum tempo. É uma copa de silicone que se põe dentro da vagina, como um tampão, recolhe o teu sangue e depois se retira para esvaziar. Assim de simples. Não seca a tua vagina, dura 10 anos e é bastante econômica. Pessoalmente já experimentei e prefiro os absorventes, mas muitas amigas estão encantadas com a copa. Experimenta e escolhe, vai depender muito do teu gosto.

Absorventes e tampões de algodão ecológico de um só uso: Estes absorventes e tampões seriam o equivalente às compressas e tampões comerciais de plástico. Porém são fibras naturais e ecológicas, que mesmo sendo de um uso só, não envenenam o teu corpo nem a terra. Eu uso-as quando tenho que estar muitas horas fora de casa e não quero ir com os absorventes de pano. (Natracare, Naty, Organyc.. São algumas marcas).

Há mais alternativas como as esponjas naturais, mas ainda não as experimentei.

Vou experimentar!

Carla Trepat

 

Trad. Adriana Robles

 

1 Pensos higiénicos em Portugal.

 

Reconheces a tua fase pré-menstrual?

Nas imagens da Flor da Vida do livro “O Tesouro de Lilith”, encontrarás os principais protagonistas da atividade do nosso sistema reprodutor durante o ciclo menstrual: o endométrio, o óvulo e o muco cervical.

O endométrio é representado nesta história pelas pétalas da Flor da Vida e é o rosto interno do útero: a terra fértil aninha o óvulo fecundado para se alimentar enquanto não se desenvolve a placenta. Trata-se de uma mucosa muito rica em nutrientes e por esta razão muito difícil de manter, desta forma, se não há nenhum óvulo fecundado que a aproveite, o corpo constrói-a e destrói-a a cada mês. A menstruação é a expulsão deste velho endométrio.

Neste sentido, o fluxo vaginal pode nos dar uma ideia da fase em que estamos.
O fluxo vaginal é composto, principalmente, pelo muco cervical, que é um muco que se produz no colo do útero para permitir ou impedir a entrada de espermatozóides. Deste modo, quando estamos férteis (os seis dias antes da ovulação aproximadamente) segregam um muco elástico parecido à clara do ovo, e quando estamos inférteis (o resto do ciclo) não aparece nenhum muco ou aparece um parecido com o iogurte. Ao observar o nosso fluxo vaginal podemos saber em que fase do ciclo estamos e aproveitar conscientemente as suas qualidades.

Em resumo os sintomas são: mucosa vaginal esbranquiçada, espessa e pegajosa que impede o movimento de espermatozóides. Pouca energia, sensibilidade emocional, aumento dos conflitos, infertilidade. Momentos de entrega e limpeza. Sonos mais claros.

Nesta fase, a nossa energia começa a diminuir, como as folhas. Estamos emocionalmente vulneráveis e suscetíveis, a nossa fertilidade chegou ao fim. Começamos a viver com menos luz e a familiarizar-nos com as nossas sombras. É um tempo para conectar com a nossa intuição.

E você, consegue reconhecer que está na pré-menstruação?

Conheça outros artigos na mesma linha…

O porquê do síndrome pré-menstrual (irritabilidade, choro, raiva…)?

A sabedoria oculta do nosso útero

Depoimento de Elyne Colares

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Elyne Colares é  Arteterapeuta e Shiatsuterapeuta emocional e atende na Região dos Lagos no Rio de Janeiro. Também é facilitadora de oficinas de filtro dos sonhos no Espaço Duó – RJ. Elyne comprou o seu primeiro livro ‘O Tesouro de Lilith’ em Setembro, e em seguida tornou-se distribuidora do livro na sua cidade e na Região dos Lagos-RJ. Ela nos deu a opinião do livro e quisemos compartilhar com vocês…

“Olá queridas, bom dia!
Deixei para ler hoje, com tranquilidade. Acordei menstruada e depois do café fui ler o livro, sem pressa. Geralmente quando estou menstruada recolho-me, volto pra dentro da concha literalmente.
Antes de ler o livro, li os artigos. E fiquei encantada em ver a sincronicidade dos textos com o que estava pesquisando para compor o meu trabalho de conclusão de estudo em Arteterapia. Hoje lendo o livro O Tesouro de Lilith, fiquei muito emocionada e lágrimas rolaram vendo a delicadeza das imagens, as cores e formas dos desenhos, e a simplicidade da história que traz suavidade e leveza, mais que isso, traz a delicadeza e beleza da alma feminina.
Lembrei da minha menarca, lembro que foi um momento muito esperado por mim. Vivia numa casa com muitas mulheres, cinco filhas. Morava numa rua com muitas mulheres também em idades bem parecidas. E algumas já tinham entrado na menarca, e trocávamos confidencias, mesmo sendo tão jovens éramos muitas próximas umas das outras, bem amigas desde a infância.
Na rua que morava tinham 19 meninas ao total e crescemos juntas, brincávamos juntas, era uma rua que sempre chamou atenção dos “meninos” do bairro..ahahah. Bem engraçado lembrar disso. Então, voltando a minha menarca, foi muito interessante. Eu tenho uma irmã que é mais velha e sempre compartilhávamos das mesmas experiências juntas, ela é um ano mais velha que eu e ficou menstruada, e eu não…ai imagina. Fiquei na expectativa porque queria ficar também. Se passou uns 6 meses e eu fiquei menstruada. Fiquei muito feliz, me senti realizada porque algumas amigas já tinham vivenciado isso. Então eu estava sonhando com aquele momento. Fiquei um pouco sem jeito de contar pra minha mãe, lembro de ter levado a minha calcinha pra ela olhar rss. Ai ela veio sorriu falou que eu já era uma “mocinha”. Eu tinha 10 anos de idade 😉 mesmo tao nova foi um momento muito marcante e especial na minha vida.”

-Elyne Colares

Email: elynesol@yahoo.com.br

E você relembrou como foi a sua menarca? Conta para nós como foi…

 

 

 

 

 

O útero, o grande tesouro de Lilith

Quão diferente é a vida de uma mulher que sabe como é o seu corpo e conhece o seu funcionamento desde pequena.
Para que assim seja, vamos incluir estes órgãos na sua vida diária, falando sobre eles e mostrando-os através de imagens ou do próprio corpo da mãe.

Nesta história dá-se um ênfase especial à representação do útero – a Flor da Vida – no corpo da mulher, uma vez que é um órgão muito poderoso completamente esquecido pela nossa sociedade, essencial para o ciclo menstrual e o ciclo de reprodução, para o prazer (tanto para a excitação como para o orgasmo) e para a intuição (é o centro intuitivo da mulher).
Ninguém fala sobre ele, crescemos ignorando-o e muitas mulheres adultas não nos damos conta dele nem o sabemos localizar no nosso corpo.

Do ponto de vista da sexualidade, a vida das mulheres pode ser dividida em três grandes etapas: a infância, a etapa fértil e a maturidade. Durante a etapa fértil somos cíclicas, ou seja, vivemos ao ritmo de um padrão que se repete periodicamente (o ciclo menstrual e o ciclo de reprodução) enquanto que durante a infância e a maturidade somos lineares. Todas as mulheres necessitamos interiorizar estes saberes sobre a nossa biografia desde bem pequenas.

Em O Tesouro de Lilith as mudanças que as mulheres vivem em cada fase do ciclo são explicadas através de duas imagens: a Flor da Vida (que representa o que acontece no aparelho sexual) e a árvore Avó Margarita juntamente com Lilith (que simbolizam as mudanças no estado geral das mulheres).

O ciclo menstrual é muito fácil de entender se imaginarmos que cada fase corresponde a uma estação: a pré ovultória á primavera, a ovulatória ao verão, a pré-menstrual ao outono e a menstrual ao inverno. Por esta razão, a árvore Avó Margarita ilustra uma estação diferente em cada fase do ciclo, e juntamente com Lilith transmitem a essência de cada fase.
Nas imagens da Flor da Vida, encontrarás os principais protagonistas da atividade no aparelho sexual durante o ciclo menstrual: o endométrio, o ovo e o muco cervical.

As meninas estão sempre preparadas para ouvir a história fascinante do ciclo menstrual e o ciclo de reprodução. Isso sim, como uma história com personagens e emoções, não como uma palestra sobre biologia humana distante da sua realidade.

O que é que aconteceu para que a menstruação passasse de se considerar sagrada a ser desprezada?

– Existiram culturas antigas nas quais se venerava a menstruação e o corpo feminino. O que é que aconteceu para que a menstruação passasse de se considerar sagrada a ser desprezada?
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Prevenção de abusos. Chega de silêncio!

Minha filha, o teu corpo é teu, é o teu templo, o teu tesouro.
Só tu decides quem o toca, quem o abraça, quem te pega ao colo  e quem te dá mimos, só você!
Se alguém te toca e tu não gostas, demonstra-o à pessoa e solta a tigresa ou a loba que há dentro de ti e que te protege, arranha se necessário, ruge e corre!
Conta a toda a gente e especialmente a mim.
O teu corpo é teu, é o teu templo, o teu tesouro.
Só tu decides quem o toca,
Só tu!

 

As vezes conversas tão simples, tão tranquilas, podem prevenir muito!

Momentos valiosos onde podemos abrir estas questões passam diariamente à nossa frente e fechamos os olhos, fechamos a boca e fechamos o coração.

É necessário falar de sexualidade, somos sexualidade, a humanidade é sexual, evadir estas conversas não é bom para ninguém, nem para si nem para os seus filhos.

Falemos, reflitamos, perguntemos sem medo, com curiosidade, demos a estas pequenas pessoas as ferramentas necessárias, façamos delas pessoas fortes.

Os abusos sexuais acontecem em qualquer casa, não importa a sua riqueza ou educação, eles podem acontecer em qualquer casa, por um amigo, um familiar, …

Isso é difícil de controlar, mas podemos encher essa pequena pessoa de segurança e confiança, de valor e conhecimento O teu corpo é teu e só tu decides quem o toca!

Vamos começar por nunca forçar a criança a dar um beijo ou um abraço, se ela não quer, vamos continuar por criar um vínculo de comunicação e liberdade para perguntar, e dar-lhe amor, muito amor! Que ela conheça a sua tigresa, a sua loba, ou o animal que ela mais goste, e que lhe dê poder, que ela saiba que, se precisar, esse animal vive dentro dela e que lhe dá garras, força, coragem, e pernas ágeis, e que morde. Claro que morde! E bem forte!

Já chega de meninas cor-de-rosa, frágeis e indefesas! Chega!

As meninas tal como os meninos sabem rugir, morder e lutar se é necessário, e nós temos que ensinar-lhes que se elas precisam podem fazê-lo!

A educação sexual é um direito, é liberdade!

Carla Trepat