Que dons esconde a menstruação?

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O ciclo menstrual mostra quatro lados da vida, que se encontram presentes  na própria natureza. Quatro faces que vivem em nós e nos ensinam e mostram como vivir feliz. A primavera com a fase pré-ovulatoria, o verão com a fase da ovulação, o outono com a etapa pré-menstrual e o inverno com o nosso sangramento, a nossa menstruação (saiba mais aquí sobre o ciclo menstrual. Assim como a natureza se transforma e ao mesmo tempo é cíclica, nós também somos, e ter este ritmo interno em sintonia com a natureza permite-nos aceder a uma grande sabedoria e a um grande poder a partir do momento em que aprendemos a dançar a dança do nosso próprio ciclo menstrual.

A natureza sabe exactamente qual o momento para germinar as sementes, para dar os frutos ou para descansar, o nosso corpo também, só temos que ouvi-lo e acima de todo respeita-lo para dança-lo e organizar as nossas vidas de acordo com o nosso próprio ciclo.

Obviamente, nesta sociedade, com horas marcadas por relógios, empresas,… totalmente alheio aos ritmos da natureza, é uma loucura falar de sincronizar a nossa vida com o nosso ciclo menstrual, e por isso temos tanta dor e sofrimento, por essa incoerência  entre as nossas necessidades corporais e as nossas exigências externas, … mas não é por suprimir e ignorar o nosso ritmo natural interno que ele deixará de estar presente para nos guiar.

 

Carla Trepat

O porquê do síndrome pré-menstrual (irritabilidade, choro, raiva…)?

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Ao longo do dia acumulamos pequenas gotas de tristeza, raiva, irritação, … pequenas gotas que, às vezes, nesse momento não temos nem tempo nem vontade ou não sabemos sequer como expressá-las ou liberá-las. Pequenas gotas que ficam dentro de nós e se vão acumulando, juntando-se umas com outras e tornando-se cada vez mais e mais grandes dentro de nós.

Durante a fase pré-menstrual e às vezes também na fase menstrual, o nosso corpo libera-as, expelindo-as de forma natural, com choro, raiva, irritações, … e nós perguntamos “mas de onde que vêm esses sentimentos tão ruins agora?” Pois obviamente, eles não vêm do momento presente, mas sim de tudo o que você acumulou ao longo do mês e que o seu corpo sabiamente expulsa para a deixar liberada, limpa e saudável novamente.
Deixar que o seu corpo se expresse livremente e se possa limpar das emoções que não lhe fazem bem, é uma grande ferramenta para sanar o nosso corpo e liberta-lo de tudo o que não necessita.

Pessoalmente, quando eu tenho pré-menstruações ou menstruações muito irritantes ou desagradáveis, é um ponto de observação de mim mesma, de como estou nesta fase da minha vida. Se tenho muita vontade de chorar e muita raiva seguramente é porque me estou a sobrecarregar e não me estou a escutar ao longo do mês e por isso nesta fase expresso esta dor interna. Mas, se estou numa etapa da minha vida mais relaxada, vejo como também a minha fase pré-menstrual e menstruação são também mais tranquilas e agradáveis.

O síndrome pré-menstrual encontra-se somente na cultura occidental, uma cultura onde prioriza a produção ao descanso e à escuta de nosso corpo, … o nosso síndrome pré-menstraul não é mais do que um detector de quando não estamos ouvindo o nosso corpo nem o nosso coração, forçando-nos a ir a um ritmo que não é o nosso.

Como faço para mudar isso?

Reduzindo o ritmo e as exigências pessoais, descansando, priorizando o que você necessita e priorizando também o nosso cuidado íntimo e profundo, … pouco a pouco, prestar atenção já é um primeiro passo.

Como recuperar a sensibilidade do útero

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Quando uma menina chega à adolescência tem o útero tão rígido e contraído, que até a mínima abertura do cérvix para a menstruação lhe produz dores fortes. Mas sabemos de jovens que tinham períodos muito dolorosos e que deixaram de os ter depois de adquirir consciência do seu útero, visualizando-o, sentindo-o e relaxando-o.

Tomar consciência, visualizar, sentir e relaxar o útero pode alcançar melhores e mais satisfatórios resultados do que qualquer medicamento.

Para recuperar a sensibilidade uterina a primeira coisa a fazer é explicar às nossas filhas desde pequenas que têm um útero, para que serve e como funciona. Explicar-lhes que quando se enchem de emoção e de amor, o seu útero palpita de prazer. Temos que recuperar com elas as verdadeiras danças do ventre, para que quando cheguem à adolescência não tenham períodos dolorosos, e em vez disso se sintam nesse estado especial de bem estar.

Recuperemos a transmissão por via oral da verdadeira sabedoria, de uma sabedoria feita de experiência, cumplicidade e empatia visceral; ou seja uma sabedoria gaiática, que se comunica por baixo, à margem das relações de autoridade, que flui com a sinfonia da vida, que se derrama com o desejo, que sabe sem saber que sabe praticamente tudo acerca da condição feminina escondida no reino de Hades e reconhecem o que é bom e o que é mau para a vida humana.

As mulheres temos muitas coisas para nos contar. De mulher para mulher, de mulher para menina, de mãe para filha, de ventre para ventre.”

Casilda Rodrigañez

Para a minha filha

de Elena Sofia Zambrano

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Hoje alcançámos o nosso objetivo. Entre muitas mulheres e homens tornámos possivel a edição de O Tesouro de Lilith em português. A todas e todos as que estão a fazer isto possivel, a todas as mães e pais, a todas as meninas e meninos, oferecemos esta publicação.

Um profundo agradecimento a todas e todos as que sonhamos e construimos um mundo melhor.

“Acho que estou longe desse momento, e nem sequer sei se algum dia o viverei, mas se eu tivesse uma filha hoje, mostrar-lhe-ia o quão incrível é estar vivo.

Cantar-lhe-ia todos os dias para que soubesse que na música se esconde um pouco da nossa alma, e que ao cantar enche-se-nos o coração de coisas boas.

Ler-lhe-ia um livro a cada noite. Contar-lhe-ia histórias. Encher-lhe-ia o mundo de personagens e lugares, magia e cores. Ensinar-lhe-ia a amar a leitura, a procurar-se dentro de um livro, a encontrar-se escondida entre as folhas, e a nunca deixar de se descobrir.

Sentá-la-ia em frente de um espelho e mostrar-lhe-ia que é preciosa. Ficaríamos frente ao espelho, até que verdadeiramente se desse conta disso.

Ensinar-lhe-ia a amar-se tal e qual como é, e a cuidar o seu corpo porque é o seu altar. Dir-lhe-ia que nunca deixasse que ninguém, ninguém, e muito menos ela própria, a fizesse sentir-se feia. Que a beleza é um direito de todos, só que ás vezes não nos sentamos o tempo suficiente em frente do espelho (o espelho da nossa alma) para nos darmos conta. Ou não abrimos bem os olhos.

Dir-lhe-ia que pode realizar os seus sonhos. Que a mim, a sua avó, me disse um dia que poderia realizar os meus, e assim foi. Que sonhe grande, grande, até chegar ao céu de estrelas com os seus sonhos. E que trabalhe bem duro para os alcançar.

Teríamos um jardim, e plantaríamos flores, e arbustos, e árvores. Daríamos nomes aos nossos amigos verdes e dançaríamos de mãos dadas ao seu lado.  Ensinar-lhe-ia a maravilhar-se com as suas cores, os seus aromas, as suas texturas, e a frescura do mundo debaixo da sua sombra.

Ensinar-lhe-ia a tecer, a fazer coisas com as mãos. Dir-lhe-ia que nós as mulheres temos o dom da criação, e que as mãos e o corpo ficam tristes quando não fazemos coisas. Dir-lhe-ia que encontre algo que goste de fazer, algo que goste de criar e que o pratique com amor o resto da sua vida.

Dir-lhe-ia que os alimentos são sagrados. Que somos o que comemos. Que somos o que pensamos. Ensiná-la-ia a cozinhar, a descobrir a arte de criar emoções e de transmitir amor com os alimentos. Recordar-lhe-ia que comer à pressa e qualquer coisa, faz-nos perder o desfrute das pequenas grandes coisas da vida. Do prazer dos sabores, os cheiros, as texturas. O prazer de sentir que estás a fazer bem ao seu corpo. Dir-lhe-ia que nunca trate mal a ninguém. Que mesmo que os seus companheiros o fizessem, nunca gozasse nem fosse má com ninguém. Que o que damos à vida e ás pessoas, volta para nós multiplicado, seja bom ou mau. E que se alguma coisa eu aprendi, que com os anos me dei conta, é que das pessoas de quem me ri, ou de quem pensei não ter nada em comum, tornam-se importantes na tua vida, e amigos que pensava que eram para sempre resultaram em não tão bons amigos.

Ensinar-lhe-ia o maravilhoso que é a família. O maravilhoso que é compartilhar. Que apesar de que chegue um momento em que queira abrir as suas asas (sim, porque esse momento vai chegar) e viver sozinha ou com parceiro, parceira ou outras pessoas, sempre me terá a mim e terá o seu pai e seremos sempre a sua família. Que sempre poderá contar connosco e que nós nunca esquecemos que ela é livre e ela decide como viver a sua vida.

Quando menstrue pela primeira vez, abraçá-la-ia com tanta força e oferecer-lhe-ia um enorme sorriso. Dar-lhe-ia as boas-vindas ao mundo de ser mulher. Explicar-lhe-ia que a menstruação é sagrada, é mágica e que nela estão guardados muitos mistérios e um maravilhoso poder. Explicar-lhe-ia sobre o seu corpo de mulher e que somos filhas da lua. Dir-lhe-ia que a partir de agora a sua vida está marcada por ciclos, e que se chega a conhecê-los e a estudá-los bem, aprenderá a tirar proveito deles e ser muito feliz. Depois, levá-la-ia ao seu restaurante favorito e juntar-nos-íamos com as mulheres importantes na sua vida nesse momento. Para que soubesse que forma parte de um circulo feminino, que nos une a todas, e que nos une à terra e ao universo.

Falar-lhe-ia de sexo. Sem medos. Sem mentiras, sem meias palavras. Dir-lhe-ia que é maravilhoso quando nos sabemos respeitar, a nós e ao outro. Que é sagrado, que é mágico. Que é muito divertido. Que pode ser uma faca de dois gumes quando nos esquecemos do nosso verdadeiro valor. Que não acredite na televisão, que não acredite nas revistas. Que acredite no seu corpo e no seu coração e na sua natureza de mulher. Que espere o momento adequado (não sei quando vai ser, filha minha, isso só o sabe cada uma de nós) e que encontre uma pessoa com quem verá o céu e as estrelas.

Ensinar-lhe-ia sobre a sua fertilidade. Como estar consciente dela. Como geri-la saudável e sabiamente.  

Oferecer-lhe-ia esses livros sobre mulheres que tanto mudaram a minha vida.

Falar-lhe-ia também do amor. Dir-lhe-ia que é a força mais grande do planeta, que consegue tudo, que é como a terra e as estrelas e o pó do que estão feitos os planetas. Que ela vai saber quando o encontre. Que, se durante o caminho lhe partem algumas vezes o coração, será para que quando encontre a pessoas indicada possa reconhecer a sua perfeição. E dir-lhe-ia que nunca deixe de acreditar no amor.

Dir-lhe-ia que viaje. Que viaje muito. Que viaje até sentir que o planeta lhe pertence (nos pertence, filha, por isso há que o cuidar tanto). Que viaje como eu viajei e me abriu tanto a mente, o coração e os olhos. Que voe, que viaje, que respeite todas as culturas e que fique com o que mais gosta de cada uma delas, para si. E que sempre, sempre viaje leve.

Dir-lhe-ia que vai haver quem lhe diga que os homens são maus, que só lhes importa uma coisa, que há que ter cuidado com eles. Mas que ela não deve ter isso em conta. Que tanto homens como mulheres, os há bons e maus. Ou melhor, mais ou menos conscientes e evoluídos. Mas que no caminho encontrará homens tão maravilhosos que lhe farão entender porquê a vida nos criou em par.

Aconselhá-la-ia a procurar um trabalho no qual possa servir as outras pessoas. No qual faça algo bom para o mundo, que a faça sentir que deixará este mundo melhor do que quando o encontrou. Mas que nunca se esqueça que o trabalho e o dinheiro não são tudo na vida. Que a verdadeira felicidade está dentro de nós próprias, nas pessoas a quem amamos, em desfrutar da natureza, em ajudar, em aprender, em criar, em sonhar e cumprir os seus sonhos. Dir-lhe-ia que não tem que ter medo do dinheiro (como alguma vez me disse a minha mãe), que quando lhe temos medo menos vem. Que o dinheiro é energia e portanto deve circular, então não serve de nada que o acumule e acumule apodrecendo-se numa conta do banco ou debaixo do colchão. Que há que saber administrá-lo, mas também há que saber desfrutá-lo e partilha-lo.

Recordar-lhe-ia que não nascemos num vale de lágrimas. Que nascemos com um potencial enorme e pulsante para ser felizes. Que as respostas sempre estão em nós próprias. Que ao levantar-se a cada dia nunca se esqueça da alegria de viver.

Dir-lhe-ia que algum dia tanto eu como o seu pai teremos que morrer. Dir-lhe-ia que é normal, e que se quer chorar que chore. Que se quer estar triste um tempo, que o faça. Mas só por um tempo curto, porque mesmo que sinta a nossa falta, deve saber que morrer faz parte de nascer e viver. Que para renascer, temos que morrer. E que o mundo não acaba aqui. Que tudo é muito mais infinito do que se imagina. Que a todos nos falta um caminho infinito por recorrer e que a verei do outro lado. E talvez, aí, quando nos encontrarmos, talvez sorria com uma doce nostalgia recordando que lá, nesse enorme e lindo planeta azul, eu fui sua mãe.”

Muito obrigada Elena Sofia Zambrano pelas suas lindas palavras, por nos relembrar a beleza da vida e por nos devolver a consciencia de como acompanhá-la.

 

Dra. Christiane Northrup

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A doutora CHRISTIANE NORTHRUP, uma mulher especializada em tratar temas de saúde feminina e uma grande escritora, autora de “Corpo de Mulher, Sabedoria de Mulher”, “A Sabedoria na Menopausa” e de muitos outros livros profundamente recomendáveis, enviou-nos um comentário sobre o Tesouro de Lilith.

 

“O Tesouro de Lilith é precisamente isso. Um tesouro. Uma reivindicação da beleza e da riqueza que existe no interior do nosso corpo feminino. Escrito com sensibilidade, amor e alegria. Adoro este livro.”

Dra. Christiane Northrup

 

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Permite-te Menstruar!

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Permite-te sangrar

Permite-te descansar, e deixa ir tudo o que já não te serve.

Permite-te chorar, aborrecer e resmungar se é o que necessitas fazer.

Permite-te desligar do mundo externo, das requisições, apreciações, planos…

Permite-te vincular com o teu ser mais profundo, com a tranquilidade e a paz que há no teu interior.

Permite-te ser, só ser e estar no presente, só por um momento, só por uns instantes.

 

A menstruação entrega-nos o dom de Ser, só temos que dançar o seu silêncio.

 

Escrito por Carla Trepat, investigadora da Sabedoria Feminina e criadora do livro O Tesouro de Lilith

E porquê uma história sobre sexualidade para meninas pequenas?

E porquê uma história sobre sexualidade para meninas pequenas?

Os meninos e as meninas sentem uma grande curiosidade pelo seu corpo; pelo seu nariz, pelos seus olhos… e pelos seus genitais. A nossa reação e acompanhamento será vital para o seu crescimento, a sua confiança em si mesmas e para a sua autoestima.

Como seria chegar à adolescência seguras e confiantes? Sentindo-nos confortáveis com o nosso corpo, com todas as mudanças que vivemos, conhecendo-o e sentindo-nos donas dele. Sendo capazes de expressar o que gostamos e o que não gostamos e atuar de forma responsável .

Quão diferente é a vida de uma mulher que sabe como é o seu corpo e conhece o seu funcionamento desde pequena.

Através das metáforas que constroem as aventuras de Lilith na descoberta do seu corpo e dos seus ciclos; das ilustrações cheias de naturalidade e beleza e com o guia incluído no final do livro, O Tesouro de Lilith vai ajudar-nos a transmitir às meninas (e à nossa própria criança interior) a beleza e o poder da sexualidade feminina para que possam caminhar com confiança.

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